PT está coligado com partidos considerados “golpistas” em quase 2 mil municípios

O processo de impeachment ainda ocorre no Senado, mas as campanhas municipais já tomam conta das ruas em todo o país. Em quase dois mil, dos 5570 municípios brasileiros, porém, o clima de hostilidade da política nacional e a extensa campanha do Partido dos Trabalhadores para denunciar aquilo que entende como um ‘golpe’ parece não ter surtido efeito. Em ao menos 1971 municípios brasileiros, PT, PMDB, PSDB e DEM formam coligações para lançar candidatos a prefeito nas próximas eleições.

Apesar do distanciamento nas grandes cidades, onde disputarão juntos apenas uma capital, PT e PMDB ainda estão unidos em ao menos 1260 disputas em todo o país – quase o dobro das 734 cidades onde o Partido dos Trabalhadores disputará a prefeitura junto de seu maior rival na política nacional, o PSDB. O número é ligeiramente menor que as 999 cidades em que petistas e tucanos estiveram juntos nas eleições municipais de 2012, mas nada que abale a relação próxima mantida pelos partidos nas últimas décadas.

Conforme apurou o jornal O Estado de São Paulo, o PT deixou de ser a primeira opção de vice para o PMDB. Neste ano, os partidos disputarão cerca de 124 eleições onde isso ocorrerá, ou cerca de 5% das disputas do PMDB, contra 12% das disputas em 2012 (284 municípios).

Nem mesmo o vigor do ex-presidente Lula ao declarar que pretendia extirpar o antigo PFL da política nacional, impede que o seu partido esteja alinhado com o DEM em ao menos 723 municípios nas próximas eleições.

Para o presidente do partido, Rui Falcão, a orientação deve ser de manter o diálogo, enquanto direciona as críticas aos líderes nacionais. Falcão considera equivocada a proposta de alas mais radicais do partido que defendem a total desvinculação da sigla dos principais partidos de oposição durante o processo de impeachment.

Outra informação importante é que longo dos últimos anos, a redução no número de candidatos dispostos a disputar uma eleição pelo Partido dos Trabalhadores parece ter diminuído drasticamente. Enquanto em 2012, entre vereadores e prefeitos, o partido possuía 44.239 candidatos, em 2016 serão 23.556, uma redução de 46,75%.

Fiel aliado da presidente Dilma no cenário nacional, o Partido Comunista do Brasil (PcdoB), também protagoniza algumas alianças no mínimo inusitadas. Em Fortaleza, o PcdoB deve se alinhar ao PDT e ao Democratas para tentar a reeleição do prefeito Roberto Claudio contra a ex-prefeita petista Luiziane Lins. Em ao menos 775 municípios de todo o país, o partido das deputadas Jandira Feghali e Manuela D’avila deve aliar-se ao PMDB de Michel Temer (ainda presidente nacional do partido). Em 605 das 2407 prefeituras disputadas pelo partido em todo o país, o PcdoB estará ao lado do Democratas, e em 671 pedindo votos para a mesma coligação do PSDB.

No Rio, o PDT, de Ciro Gomes e Carlos Lupi, deve aliar-se à candidatura de Pedro Paulo, do PMDB de Eduardo Cunha. Apesar das constantes críticas ao partido, o ex-ministro Ciro Gomes alega que as desavenças foram ponderadas e que considera que o candidato faça parte da turma “não quadrilheira do PMDB”.

Nem mesmo o PSOL, ferrenho opositor dos mandatos de Cunha e Temer e crítico contumaz dos partidos tradicionais de oposição, se manterá totalmente afastado. Apesar de disputar apenas 573 prefeituras no país, o partido que lançou Luciana Genro à presidência em 2014 deverá disputar ao menos 15% das suas eleições municipais ao lado de um dos três partidos. Serão, no mínimo, 29 ao lado do DEM e do PMDB e 21 ao lado do PSDB.

Vale destacar que os números estão sujeitos a mudanças caso haja o indeferimento de uma ou mais candidaturas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

É possível conferir os municípios onde ocorrem estas candidaturas acessando esse link.

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